jul 29 2014

Bengala fala e identifica em mapa obstáculos pela cidade


Quatro pesquisadores do Laboratório de Inovação Tecnológica na Saúde, da UFRN , avaliam Olho Biônico; crédito: Bethowen Padilha/Divulgação

A bengala é de grande ajuda para pessoas com deficiência visual, mas ela tem limites: indica somente obstáculos próximos ao solo e não alerta sobre buracos, como bueiros sem tampa. Mas pesquisadores da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) mudaram não apenas o alcance da bengala, como criaram um mecanismo que avisa o poder público e outros usuários dos problemas de acessibilidade locais.

Chamado de Olho Biônico, o sistema tem três sensores _um no boné, um na altura da cintura e outro na ponta da bengala. Esse conjunto de ultrassom calcula distâncias e identifica as barreiras pelo caminho.

Os dados dos obstáculos são computados por um dispositivo e, a partir daí, são emitidas mensagens de voz pré-gravadas. Se uma pessoa com deficiência está em frente a um telefone público, por exemplo, o sistema avisa: “Cuidado, obstáculo a menos de 50 cm da cabeça”. A partir da informação, é possível reorientar a rota. Se o caminho estiver livre, o sistema emite um bipe.

Além de guiar a pessoa com deficiência, o sistema abastece uma base de dados, que disponibiliza à população e ao poder público os problemas encontrados no trajeto.

O coordenador do Laboratório de Inovação Tecnológica na Saúde (Lais), da UFRN, Ricardo Valentim, explica que o que diferencia o Olho Biônico das demais bengalas inteligentes no mercado são duas inovações. Um, a voz que transmite as mensagens, humanizando a experiência de pessoas com deficiência. “Outras utilizam o sistema de vibração, que pode confundir o usuário”, conta.

Outro, é a notificação das barreiras em um site, que pode ser utilizado pelo poder público para promover melhorias em acessibilidade.

Por enquanto, os pesquisadores estão trabalhando com protótipos. Valentim adianta que alguns componentes serão aprimorados, assim como a própria bengala. Feita de alumínio, ela é considerada pesada para o dia a dia. “Em três meses, queremos desenvolver uma de fibra de carbono, que é mais leve.”

Ainda não há previsão de comercialização. Os pesquisadores buscam parcerias para licenciar a tecnologia.

Por QSocial


jul 28 2014

Cartilha acessível tira dúvidas sobre direitos trabalhistas


Capa da cartilha acessível; foto Reprodução

 

O Ministério Público do Trabalho lançou uma cartilha que apresenta os principais direitos trabalhistas e que foi feita especialmente para pessoas com deficiência.

O material foi escrito em uma linguagem simples e é bilíngue _em português e em Libras, a Língua Brasileira de Sinais.

Além de texto, está disponível em áudio e em formato de livro digital no portal PCD Legal, permitindo que qualquer pessoa consulte as informações ou faça o download.

“Estamos possibilitando acesso à informação, permitindo que tanto patrões quanto empregados conheçam direitos e deveres nessa relação de trabalho. Nossa intenção é ampliar o conhecimento”, disse o procurador do Trabalho Estanislau Tallon Bozi.

A iniciativa é uma parceria do Ministério Público do Trabalho no Espírito Santo com o Movimento Down e a Associação Carpe Diem.
Breno Viola, do Movimento Down e que tem a síndrome, destaca a presença de imagens, sons e vídeos como pontos positivos da cartilha.

“Precisamos de acessibilidade. Precisamos de Libras, de braille, de sinais, de rampas, de textos mais simples, com mais imagens, fotos e vídeos. Vamos fazer um mundo melhor, sem violência, sem preconceito e sem discriminação.”

Por QSocial


jul 24 2014

Universitárias criam tabela periódica para cegos


Alunos manipulam régua de distribuição dos elementos químicos

 

Alunos com deficiência visual que estudam na rede pública vão receber uma ferramenta importante para o aprendizado de uma disciplina que costuma ser temida. Seis estudantes do 2º e 3º anos de química e engenharia química da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) estão finalizando o protótipo de uma tabela periódica para cegos.

O projeto é constituído de duas partes: a primeira é a distribuição eletrônica de Linus Paulling em forma de uma régua, onde o aluno com deficiência visual localiza o período e o grupo do elemento químico; a segunda é a tabela periódica propriamente dita, produzida em placa na mesma composição dos grupos da tabela impressa, para que ele encontre o elemento e as informações do símbolo, da nomenclatura, da massa atômica e da sua estrutura eletrônica.

Ligiany, Anna Caroline, Karolina, Letícia e Bruna catalisando o silicone para criar o molde

“Ambos serão confeccionados em resina cristal, que permite rápida secagem, leveza do material, resistência e boa apresentação do relevo braille”, afirma Marcos Freitas de Moraes, professor que orienta as estudantes Anna Caroline Rodmann, Bruna Rafaella dos Santos, Letícia Costa Curta, Ligiany Passos, Karolina Royer e Paula Nogueira.

Já existem várias tabelas impressas através das impressoras braille. O maior problema é que o tamanho da página é muito grande, e a quantidade de folhas, também. Com o passar do tempo, de tanto manipular o material, o relevo começa a amassar, deixando uma lacuna na informação.

“Com o material resinado e em forma de placas, o aluno somente manipulará o grupo indicado na distribuição eletrônica ou o que lhe interessar estudar, sem se preocupar com a pressão do seu tato”, explica o professor.

A aluna Edina tendo contato com a régua da distribuição

Uma aluna com deficiência visual do Centro Estadual de Educação Básica de Jovens e Adultos (Ceebja) de Toledo (PR) já está testando o material eletrônico. A tabela periódica está em fase de montagem das peças, que foram moldadas em silicone.

Peça seca, sendo retirada do molde sem acabamento

“Alunos que precisam de uma atenção especial muitas vezes deixam de aprender por falta de materiais didáticos”, diz Moraes. “Sou professor de matemática e trabalho com um material chamado Multiplano, para cegos. Nos colégios que possuem essa ferramenta, os alunos têm uma grande facilidade para entender a potenciação. O mesmo não acontece nas que não a possuem.”

“Ensino da Química: a Distribuição Eletrônica e a Tabela Periódica para Alunos com Deficiência Visual” venceu o edital de apoio à pesquisa do Parque Tecnológico Itaipu, recebendo um aporte de R$ 72.980 para o pagamento de cinco bolsas de iniciação científica e a aquisição de materiais para a construção do protótipo.

A proposta surgiu durante um curso sobre inclusão oferecido pelo Programa Institucional de Ações Relativas a Pessoas com Necessidades Especiais (PEE) no campus de Cascavel da Unioeste.

“A universidade é feita para a comunidade”, pontua Moraes. “Tenho certeza que a satisfação de saber que um aluno aprendeu algo sobre a tabela periódica através do material desenvolvido por elas é gratificante, sem dúvida nenhuma. Isto é permitir a verdadeira inclusão social.”

Por QSocial


jul 21 2014

Curitiba pode ter piso tátil ao redor de postes, lixeiras e ‘orelhões’


Usando bengala, deficiente caminha pela rua com auxílio de piso tátil

Foi protocolado na Câmara Municipal de Curitiba (PR) um projeto de lei que determina a instalação de piso tátil ao redor de postes, lixeiras, orelhões e quaisquer     equipamentos públicos que sejam obstáculos ao tráfego de pessoas com deficiência visual. Além disso, o piso tátil também marcaria, nas calçadas, a localização da faixa de pedestres.“Todo equipamento permanente a ser instalado em calçadas, parques, praças, passeios públicos e outras áreas de circulação de pessoas deverá ser circundado por piso tátil, sensível ao contato das pessoas com deficiência visual”, diz a proposição do vereador Valdemir Soares (PRB), que estipula a necessidade de o piso estar de acordo com as regras da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).

Na justificativa, ele argumenta que são frequentes os acidentes envolvendo pessoas com deficiência visual, que se chocam com postes e outros equipamentos sem  sinalização especial. “Os legisladores têm o dever de zelar pela integração social desses cidadãos”, disse o vice-presidente da Comissão Permanente de Acessibilidade da  Câmara Municipal de Curitiba.

O parlamentar também protocolou a proposição que pretende garantir o acesso de pessoas com deficiência auditiva ou visual a todo conteúdo publicado no portal da Câmara. “As transmissões ao vivo das sessões não podem ser acompanhadas por deficientes auditivos, por exemplo”, defende o parlamentar, que já aprovou lei que determina atendimento personalizado a pessoas com deficiência visual durante as compras nos supermercados.

TRAMITAÇÃO

Após o protocolo e a leitura no pequeno expediente de uma sessão plenária, o novo projeto de lei começa a tramitar na Câmara. Primeiro, a matéria recebe uma instrução técnica da Procuradoria Jurídica e depois segue para as comissões temáticas do Legislativo. Durante a análise dos colegiados, podem ser solicitados estudos adicionais, documentos faltantes, revisões no texto ou posicionamento de outros órgãos públicos afetados pelo teor do projeto.

Se não houver empecilhos durante a análise das comissões temáticas (arquivamento pela Comissão de Legislação ou retirada a pedido do próprio autor), o projeto segue para o plenário. Segundo o regimento interno, é responsabilidade do presidente da Casa estipular o que será votado nas sessões. Para serem consideradas aprovadas, as proposições passam por duas votações em plenário.

A entrada em vigor da lei depende do aval do prefeito e da publicação no “Diário Oficial do Município” (simultaneamente ou num prazo predefinido no projeto de lei). O prefeito pode se opor a trechos da matéria (“veto parcial”) ou a todo o conteúdo (“veto total” ou “veto integral”). Nestes casos, o projeto volta para a Câmara, e os vereadores decidem, votando em plenário, se querem “derrubar os vetos” (recuperando o texto original) ou mantê-los, concordando com o Executivo.

Todo esse processo pode ser conferido pela internet neste link, com o código 005.00175.2014.

Por QSocial


jul 16 2014

Aplicativo gratuito transforma voz em letras grandes


Gire o dispositivo móvel e diga o texto para ver na tela as palavras em letras grandes. Essa mágica tem nome e chama-se TellMyPhone, um aplicativo para Android que faz a conversão de voz em texto em diversos idiomas, inclusive português, voltado a pessoas surdas ou com baixa visão.

Se o celular estiver na vertical, basta colocá-lo na horizontal —e vice-versa— para acionar o sistema de gravação. Um sinal sonoro é emitido, indicando ao usuário que ele já pode falar. O texto aparece na tela na sequência. Quer gravar novamente? Basta girar mais uma vez o dispositivo móvel.

A tecnologia é gratuita e foi criada pelo presidente da Bidirectional Access Promotion Society, o indiano Arun Mehta. Em um vídeo de 5 minutos, ele explica como elaborou o aplicativo, convidando mais programadores a criarem soluções inclusivas.

Mehta, que foi voluntário na Anistia Internacional, desenvolve softwares para crianças com deficiência, especialmente aquelas com dificuldade em se comunicar.

Por QSocial


jul 14 2014

Aprovada criação do Dia Nacional do Teatro Acessível


Legenda: Quatro atores, sendo três mulheres e um homem, usando microfones, encenam o espetáculo “Ninguém Mais Vai Ser Bonzinho”; crédito: Divulgação/Escola de Gente; Crédito: Divulgação/Escola de Gente

Legenda: Quatro atores, sendo três mulheres e um homem, usando microfones, encenam o espetáculo “Ninguém Mais Vai Ser Bonzinho”; crédito: Divulgação/Escola de Gente; Crédito: Divulgação/Escola de Gente

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados aprovou a criação do “Dia Nacional do Teatro Acessível”, a ser celebrado em 19 de setembro. Como a proposta foi aprovada em caráter conclusivo, seguirá agora para análise do Senado, informa a Agência Câmara Notícias.

De acordo com os autores do projeto de lei, Jandira Feghali  (PCdoB/RJ), Jean Wyllys (PSOL/RJ), Mara Gabrilli (PSDB/SP) e Rosinha da Adefal (PTdoB/AL), a data ajudará a divulgar a cultura por meio de atividades cênicas que utilizem práticas de acessibilidade física e comunicativa a pessoas com deficiência.

A campanha “Dia Nacional do Teatro Acessível: Arte, Prazer e Direitos” foi idealizada e lançada pela ONG Escola de Gente – Comunicação em Inclusão, em junho de 2011, a fim de disseminar pelo Brasil a cultura e a prática do teatro acessível.

Por QSocial


jul 09 2014

Cerimônia de encerramento da Copa terá audiodescrição


Quer assistir à cerimônia de encerramento da Copa com audiodescrição? O Mundo Cegal vai transmitir o evento do dia 13 de junho.

O time que fará a audiodescrição é composto pela professora e audiodescritora Liliana Tavares, da Com Acessibilidade; pelo consultor em audiodescrição Milton Carvalho e pela audiodescritora Silvia Farias. Todos são voluntários nesta iniciativa.

Segundo o coordenador do Mundo Cegal, Leondeniz Cândido de Freitas, 31 anos, a proposta é inédita no portal, que foi criado em 2009. “A expectativa inicial é a de que tenhamos mais de 200 conexões simultâneas e mais de 500 pessoas no total”, considera.

A cerimônia de encerramento terá apresentação da escola de samba Grande Rio, que levará 200 integrantes para o Maracanã, no Rio de Janeiro. Também são esperados o cantor Alexandre Pires, o guitarrista mexicano Carlos Santana, o cantor haitiano Wyclef Jean e o DJ sueco Avicci, que devem cantar “Dar um Jeito”, uma das quatro músicas oficiais do Mundial, além das cantoras Shakira e Ivete Sangalo.

A transmissão da cerimônia de encerramento da Copa no Mundo Cegal começa logo após a partida final, que definirá o vencedor da competição. Será possível enviar perguntas e comentários.

Serviço
Audiodescrição da cerimônia de encerramento da Copa do Mundo
Quando: 13/7, após a final do campeonato
Onde ouvir: http://www.mundocegal.com.br/radio

Por QSocial


jul 07 2014

Alunos da USP desenvolvem rede colaborativa para pessoas com deficiência visual


Estudantes do IME (Instituto de Matemática e Estatística) e da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) da USP (Universidade de São Paulo) desenvolveram um aplicativo que pode se tornar uma rede social colaborativa para pessoas com deficiência visual. No Smart Audio City Guide, os usuários podem compartilhar, em áudio, informações georreferenciadas, tendo maior autonomia ao caminhar pelas ruas.

A ideia do projeto havia sido sugerida pelo professor da FAU Artur Rozestraten e ganhou a simpatia dos alunos. “[Eles] montaram uma equipe para disputar a competição Imagine Cup, da Microsoft”, conta o professor Marco Aurélio Gerosa, do IME, que orientou o grupo. No torneio, que tem por objetivo atrair ideias inovadoras para melhorar o mundo, os estudantes conquistaram o terceiro lugar.

Com o sucesso da iniciativa, os alunos desenvolveram o aplicativo com mais profundidade no trabalho de conclusão de curso. Quem testou aprovou, e os depoimentos estão gravados no YouTube.

Como o aplicativo foi desenvolvido para o Windows Phone, o grupo trabalha agora em versões para Android e iOS. A ferramenta, que está sendo desenvolvida há dois anos, ainda não está disponível para o público.

Por QSocial


jul 03 2014

Indianos criam bengala inteligente


Uma bengala que indica objetos a uma distância de até 3 metros por meio de sensores. Ela existe e chama-se SmartCane.

Criada por pesquisadores e estudantes da Assistech (Assistive Technologies Group), do Instituto Indiano de Tecnologia de Delhi, ela utiliza ultrassom para identificar obstáculos com a partir de 3 cm de largura, inclusive os que estão no nível acima do joelho. Quando as ondas retornam aos sensores da bengala, ela vibra em diferentes padrões e intensidades, conforme a distância do objeto.

Além de poder ser ajustada conforme a altura da pessoa, a bengala inteligente tem cabo ergonômico e bateria recarregável que dura até 10 horas. Foram disponibilizados treinamentos em inglês e hindi no site para explicar o funcionamento e as especificações do aparelho.

Após testes com cerca de 150 pessoas, o dispositivo foi colocado à venda por US$ 50 (o equivalente a R$ 110), pela internet, no site da SmartCane.

Por QSocial


jul 01 2014

Atletas mostram que visão pode ser mero acessório no futebol


A cena inicial de um documentário de 6 minutos do jornal americano “The New York Times” é taxativa: a visão pode ser um mero acessório ao futebol. Indispensável, mesmo, é o amor à bola. Na imagem, um goleiro mostra ao atacante cego a distância entre as traves, através do som.

Jogador de futebol cego se prepara para chutar a gol

O filme (com versões em inglês e em português) mostra um pouco da vida de dois atletas da seleção brasileira do futebol de cinco, categoria paraolímpica para pessoas com deficiência visual: Liwiston Costa, o Didiu, que perdeu a visão na infância após um trauma, e Eduardo Júnior, o Dudu, cego de nascença.

Nessa modalidade de futebol, as regras foram adaptadas: são cinco atletas de linha para cada time, sendo que todos, além de serem cegos ou possuírem baixa visão, jogam vendados, para que haja uma igualdade de condições; apenas os goleiros enxergam; a bola tem um guizo, o que ajuda na localização.

Atletas do Urece, time de futebol para cegos, durante partida

Não se engane: assim como na modalidade mais famosa, os jogadores driblam bastante, conduzem a bola com perfeição e, sim, fazem gols, muitos gols…

Assista aqui ao vídeo.

Por QSocial


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