abr 23 2014

‘Sentimos o que olhos não veem’, diz cego ao pilotar veleiro


Eles toparam o desafio e embarcaram em três veleiros não como passageiros, mas como tripulantes. Em grupos de quatro, apenas um, o técnico, enxergava: os outros três, com deficiência visual, se revezaram no leme, na vela principal e na vela da proa.

Esta imagem mostra o veleiro utilizado no projeto Verlejando; duas pessoas, um instrutor e uma mulher com deficiência visual, estão velejando nas águas calmas da praia do Indaiá, em Bertioga; o veleiro é branco, tem duas velas vermelhas, e os tripulantes estão sentados, sorrindo, e usam coletes salva-vidas; Foto: Renata de Brito/Divulgação

Instrutor do projeto Verlejando e aluna cega na praia do Indaiá, em Bertioga (SP); Foto: Renata de Brito/Divulgação

Antes de navegar pelas águas calmas da praia do Cantão do Indaiá, em Bertioga, no litoral norte de São Paulo, eles fizeram uma leitura tátil para conhecer o barco, um O’Day 12, e identificar suas partes. Depois, o controle estava com eles: o técnico apenas dava orientações.

“A pessoa com deficência visual se destaca por sua orientação espacial, memória localizada, senso de equilíbrio, acuidade dos outros sistemas sensoriais e pela capacidade de construção de mapas mentais”, explica José Augusto Coelho Filho, idealizador do projeto Verlejando.

“A sensação é de uma liberdade impressionante”, descreve Alexandre Santos Costa, ao deixar o veleiro. “Você realmente se sente no controle”, diz. “A energia do mar e o vento no rosto são fantásticos”, completa Caio de Carvalho. “A gente sente o que os olhos não veem.”

E a deficiência, na avaliação de Cássio Medeiros de Carvalho, torna-se uma vantagem competitiva sobre quem tem a visão. “Porque ninguém enxerga o vento. Então, como ninguém enxerga, quem tem mais sensibilidade sai na frente”, compara.

A Prefeitura de Bertioga, por meio da Diretoria de Acessibilidade e Inclusão, vinculada à Secretaria de Segurança e Cidadania, está cadastrando grupos para participar do Projeto Verlejando. Os interessados devem mandar um e-mail para prof.augusto@velaecia.com.br ou ligar para (13) 3317-4257.

Para Carolina Roborfelo Nogueira, coordenadora de esportes do Centro de Apoio ao Deficiente Visual, “o projeto mostra para toda a sociedade a capacidade que uma pessoa com deficiência tem no mar e na terra, tanto nos aspectos cognitivos como intelectuais”.

“Somos todos iguais, só fazemos de uma forma diferente”, conclui Alexandre.

Por QSocial


abr 15 2014

Torcedores cegos contarão com audiodescrição na Copa


Começou hoje (15) a última fase para tentar comprar ingressos para os jogos da Copa, que começa em 12 de junho. Se você está entre os sortudos que poderão assistir às partidas nos estádios, mas é cego ou tem baixa visão, uma boa notícia: pela primeira vez em Copas do Mundo, haverá narração audiodescritiva em quatro estádios. A informação é do Portal da Copa e do Ministério do Esporte.

Torcedor cego e acompanhante chegam a estádio; foto Buda Mendes/Getty Images

A audiodescrição é semelhante à narração de rádio, mas com ênfase na experiência do estádio. O narrador especialmente treinado fornece uma descrição adicional de todas as informações visuais significativas, como linguagem corporal, expressão facial, entorno, lances, uniformes, cores e qualquer outro aspecto importante para transmitir a aparência e o ambiente do estádio, tudo que possa enriquecer a experiência da pessoa com deficiência visual nos estádios.

“O serviço de audiodescrição fala como a torcida está se portando, quais são as brincadeiras, como o juiz corre… Algumas coisas que ninguém acha que são importantes, porque estão todos vendo”, disse ao Portal da Copa Anderson Dias, presidente da Urece Esporte e Cultura para Cegos, ONG parceira da Fifa e do COL que trabalha com projetos especiais para pessoas com deficiência visual. “Na audiodescrição de avaliação de voluntários, ouvi o gol do Ronaldo na final da Copa do Mundo de 2002 e ouvi que o Oliver Kahn fica no chão, chateado, triste, e o Ronaldo sai comemorando de braços abertos. Isso se perde nas transmissões de TV e rádio”, completa Dias, que foi bicampeão mundial e campeão paraolímpico de Futebol de 5 em Atenas 2004.

A narração será disponibilizada em português em Belo Horizonte (Mineirão), Brasília (Estádio Nacional Mané Garrincha), Rio de Janeiro (Maracanã) e São Paulo (Arena Corinthians). Haverá dois locutores por jogo, e a audiodescrição será transmitida por radiofrequência e captada em fones de ouvido individuais. Torcedores cegos ou com baixa visão podem sentar-se em qualquer lugar do estádio.

Pelo menos 16 voluntários, quatro de cada uma das cidades-sede selecionadas, passarão por um programa de treinamento intensivo promovido pelo Centro de Acesso ao Futebol na Europa (Centre for Access to Football in Europe – CAFE) e pela Urece.

A voluntária Natália Caldeira, de 29 anos, que trabalha com deficientes visuais desde 2004, comemorou a chance de participar desse projeto na Copa em seu país. “É uma oportunidade incrível. Não só de estar num jogo de Copa, mas de transmitir a essas pessoas o que acontece e tornar sua experiência mais real. É uma responsabilidade muito grande, mas tenho certeza de que a gente vai ter diversas lições até lá e vai conseguir fazer isso direitinho. Estou preparada.”

Após o Mundial, o equipamento de narração instalado em cada estádio será doado às entidades locais dispostas a fazer parte do legado do projeto. Para a Copa, e de acordo com as leis brasileiras, pelo menos 1% do número total de ingressos oferecidos é disponibilizado para pessoas com deficiência –e todas elas podem solicitar bilhetes complementares para um acompanhante.


abr 04 2014

Reportagem de revista de gestão destaca negócios sociais


A última edição (nº 103) da revista HSM Management, voltada para executivos, traz como reportagem de capa os negócios sociais. Assinado pelo jornalista Sílvio Anaz, o texto diz que esse tipo de negócio “cria paradigmas para o futuro ao aliar geração de lucros com impacto socioambiental positivo”, cita o F123 como uma das empresas que hoje têm essa mentalidade e estão dispostas a resolver graves questões sociais, mas ressalta que “o Brasil ainda está atrasado em sua implantação”.

À esq., Fernando Botelho, do F123, em matéria da revista HSM Management; foto Reprodução

Segundo a reportagem, estudo da Ashoka e do Instituto Walmart mostra que o negócio social, que gera lucro e benefícios para a sociedade, surge como a principal tendência entre administradores. Ainda de acordo com esse estudo, no Brasil e em outros países em desenvolvimento, essas organizações dão ênfase a iniciativas de mercado que visam à redução da pobreza e à ampliação das ações de inclusão social.

Ouvido pela revista, o professor Marcus Nakagawa, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), destaca a questão da ausência de uma legislação adequada a esse tipo de negócio. “A maioria dos empreendedores sociais no Brasil escolhe as ONGs como base, porque para elas existem melhores referências de gestão e legislação. Nos negócios sociais, ainda estamos na discussão conceitual sobre se e quando o empreendedor ou sócio da empresa pode ou não fazer uma retirada de lucro”, afirma.

 


mar 27 2014

Cofundador do F123 fala sobre acessibilidade e inovação


O cofundador do Grupo F123, Fernando Botelho, é um dos palestrantes de hoje do Seminário Internacional de Acessibilidade – CREA – PR. Nesta terceira edição, o tema principal é “Acessibilidade – Uma responsabilidade profissional”.

O evento acontece até amanhã em Curitiba, no Auditório Gralha Azul do Setor de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e a expectativa é de reunir ao menos 500 pessoas para as discussões.

A programação do seminário inclui o secretário municipal de Curitiba para a Copa, Reginaldo Cordeiro, que vai falar sobre o legado do Mundial para a acessibilidade, Teresa Costa D’Amaral, do Instituto Brasileiro da Pessoa com Deficiência, vai abordar os direitos desse grupo, o engenheiro florestal Antonio José de Araujo, que vai fazer uma apresentação sobre árvores na paisagem urbana e acessibilidade, Michele de Souza, do Instituto Sabrina Belon, falará sobre tecnologias sociais, o ministro do Superior Tribunal de Justiça Sérgio Luiz Kukina, levará à plateia o tema STJ e direitos das pessoas com deficiência. Fernando Botelho, que venceu com o F123 o Prêmio Finep de Inovação 2013, irá abordar a inclusão digital.

 

A presidente Dilma Rousseff entrega troféu do Prêmio Finep de Inovação a Fernando Botelho e Flávia de Paula, do F123; foto de Roberto Stuckert Filho/PR

É possível acompanhar o seminário ao vivo aqui.

INOVAÇÃO

Amanhã, dia 27, Botelho é o convidado do 9º Encontro de Boas Práticas em Inovação no Senai de Curitiba. O evento é gratuito, tem inscrições limitadas e será um misto de palestra com oficina sobre o tema.

O encontro acontece no próprio Senai, na av. Comendador Franco, 1.341, Jardim Botânico, Curitiba, das 8h30 às 12h.

Informações com Maisa: 0/xx/41/3271- 7402 ou maisa.silvestrin@pr.senai.br

 


mar 26 2014

Marco Civil passa na Câmara; Senado vira próximo alvo


O texto do Marco Civil da Internet foi aprovado ontem (25) na Câmara dos Deputados após vários adiamentos e debates. O tema, discutido desde 2009, regulamenta a internet no país, estabelecendo direitos e deveres tanto dos internautas quando do governo e das empresas ligadas à rede.

 

Logotipo da campanha pelo Marco Civil da Internet; foto Reprodução

 

A proposta aprovada mantém a neutralidade da rede e, agora, segue para o Senado, que tem 45 dias para votá-lo. Nesta quarta (26), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou que a Casa vai analisar o projeto em “curtíssimo espaço de tempo”. Para que isso aconteça mesmo, você pode participar pressionando diretamente os senadores por meio da campanha do Meu Rio.

Agora, se você está achando que esse papo de regulamentação da web é muito distante do seu dia a dia, veja neste outro link, em reportagem do UOL, como o Marco Civil vai afetar sua vida.


mar 19 2014

Plano da OMS de redução de doença ocular vai até 2019


Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) referentes a 2010, 285 milhões de pessoas em todo o mundo, o equivalente a 4,24% da população do planeta, têm alguma deficiência visual. Desse grupo, 14%, ou 39 milhões, são cegas. O que chama mais atenção é que, segundo o órgão, 80% dos casos poderiam ser evitados.

No que se refere a quem tem baixa visão, o principal problema, com 42% do total dos casos registrados, são os erros de refração não corrigidos, ou seja: miopia, astigmatismo, hipermetropia e presbiopia que, se não são tratados, podem levar à baixa visão severa e até à cegueira. Em segundo lugar vem a catarata, com 33%, doença que pode ser corrigida numa cirurgia relativamente simples.

 

Pessoa cega caminha com bengala

No Brasil, são 39 milhões de cegos, segundo a OMS; foto Reprodução

Entre os cegos, é exatamente a catarata a principal causa, com 51% dos casos, seguida pelo glaucoma, que é responsável por 8%. Apenas 4% ficaram cegos na infância.

Mas números sozinhos não mudam nada. Para tentar mudar esse retrato, a OMS criou o Plano de Ação para Prevenção da Cegueira Evitável e de Deficiências Visuais 2014-2019, um conjunto de esforços que depende da ação de cada país-membro, e de cada cidade, para que as metas sejam alcançadas. A principal delas é que, até 2019, as doenças oculares sejam reduzidas em um quarto.

Estamos no início do programa. Vale conferir seus resultados.

 

 

 


mar 18 2014

F123 é destaque no site do Projeto Generosidade


O F123 foi tema de uma reportagem no site do Projeto Generosidade na última semana. O texto conta a história do Grupo F123 e mostra como as pessoas cegas ou com baixa visão podem ser beneficiadas pelo software.

O Projeto Generosidade, da Editora Globo, tem como objetivo revelar e repercutir ações e exemplos de gente que faz e promove o bem no Brasil. Veja aqui a íntegra do texto.


mar 11 2014

Gilberto Gil lança petição online em apoio à votação do marco civil da internet


A votação do marco civil da internet na Câmara dos Deputados, que estava prevista para hoje, foi novamente adiada, desta vez para a próxima semana, por falta de acordo. O projeto, que define regras para o uso da internet no país, trouxe ao debate até o cantor e compositor Gilberto Gil.  Entre os pontos mais importantes do texto estão a chamada neutralidade da web (princípio que estabelece que as empresas de telecomunicações não podem vender pacotes que restringem os tipos de aplicações usadas), a privacidade e a liberdade de expressão.

O cantor e compositor Gilberto Gil; foto Divulgação

Para assegurar os direitos dos internautas, há uma petição online da rede Avaaz, convocada por Gil. Nela, o compositor diz que sua geração “lutou pela democratização do Brasil e pela garantia da liberdade de comunicação” e que não podemos deixar que “conquistas importantes desapareçam diante do lobby irresponsável de um punhado de empresas e da falta de compromisso de deputados que acreditam que podem ignorar seus eleitores”.

Estão previstas também manifestações no Congresso e um tuitaço logo mais, ao meio-dia desta terça-feira (11), organizado pelo perfil do Facebook do movimento Marco Civil Já.

Veja aqui como assinar a petição >>> http://www.avaaz.org/po/o_fim_da_internet_livre_gg/?bAKCbab&v=37036


fev 27 2014

Anel inteligente lê textos para pessoas com deficiência visual


Pesquisadores do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) criaram um anel que vai facilitar bastante a vida de pessoas com deficiência visual ou baixa visão, informa o site Catraca Livre.

Ele lê textos (digitais ou impressos) por meio de uma câmera e reproduz as palavras em voz alta em tempo real, avisa (vibra) quando a página está acabando e também pode ser usado como um tradutor.

O dispositivo, batizado de Finger Reader, ainda está em fase de desenvolvimento e requer aperfeiçoamentos antes de ser lançado, mas já chama a atenção pela tecnologia avançada utilizada em seu desenvolvimento.

 

Finger Reader, que está em desenvolvimento, lê trecho de livro em demonstração. Foto: reprodução

 

 


fev 25 2014

Fundador do F123 participa do júri da principal premiação da telefonia móvel mundial


A GSMA (Associação do Sistema Global de Comunicação Móvel) anunciou hoje, no Congresso Mundial de Telefonia Móvel, em Barcelona, os ganhadores do 19º Global Mobile Awards. Fernando Botelho, um dos fundadores do F123, foi um dos jurados da premiação, ao lado de mais de 175 analistas, jornalistas, acadêmicos e especialistas independentes de todo o mundo que participaram do processo de escolha.

Foram mais de 680 indicações de produtos e serviços inovadores para suas oito categorias principais, o que tornou esta a edição mais acirrada de todas, segundo a organização do evento. Confira todos os ganhadores no site http://www.globalmobileawards.com/winners-2014.

A GSMA representa os interesses das operadoras de telefonia móvel em todo o mundo. Presente em mais de 220 países, reúne cerca de 800 operadoras de telefonia móvel do mundo.


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